Mascate, Omã

Dos cinco países que visitei nas minhas curtas férias pelo Médio Oriente, Omã era de longe aquele que eu mais tinha curiosidade em conhecer. Para além de ter um passado rico, é um país que, ao contrário da maioria dos vizinhos, tem muita natureza para além do deserto. A minha primeira paragem foi na capital, Mascate, uma cidade que se estende desordenadamente ao longo da costa do Golfo de Omã e que decidi transformar em base para a minha partida à descoberta do resto do país.

A desordem da cidade, que esteve sob ocupação portuguesa durante o século XVI, deve-se ao facto de Mascate ser, efectivamente, um aglomerado de pequenas aldeias que foram crescendo ao longo dos tempos até se tornarem na cidade que é hoje. No entanto, apesar de ser uma cidade calma, exala um aroma genuíno e oferece mais do que aquilo que possa aparentar inicialmente.

O centro de Mutrah, com um dos muitos fortes discretamente à espreita no topo de um monte.

Tal como aconteceu nas outras cidades que visitei neste canto do Médio Oriente, percorrer o Corniche – um passeio bem arranjado que percorre a baía – é uma das actividades mais populares entre os locais. Quando sítios como Mascate oferecem pouco para ver em termos de atracções, eu faço aquilo que mais gosto de fazer: andar a pé e explorar até me fartar! Como o centro de Mutrah (a zona onde fiquei) é algo pequeno e compacto, percorrer o Corniche pareceu ser a actividade ideal para ocupar o dia.

Tendo sido uma ponto estratégico na Rota da Seda devido à sua posição entre a África e a Ásia, fica fácil de perceber porque há tantos fortes em Mascate – quase um em cada esquina, ou (melhor dizendo) cada monte! Infelizmente são poucos os que podem ser visitados, mas isso não impediu que eu o tentasse na mesma. O Forte de Mutrah, no início do Corniche, foi o que me ofereceu a melhor vista de todos, e também uma pitada de aventura, visto que o único acesso é feito por um caminho (muito!) precário.

O Corniche, visto do Forte de Mutrah.

A minha longa caminhada até ao Palácio Real foi agradável, mas pouco variada. As vistas repetem-se um pouco: céu azul, mar calmo e muitos arranjos florais coloridos ao longo dos passeios limpos. A zona do palácio, ainda que ligeiramente deslocada do centro, é visualmente interessante: a antiga prisão construída (quase literalmente) nas rochas e a fachada colorida do Palácio Real fazem certamente valer a visita.

Decidido a tirar o maior partido da minha estadia optei por arriscar uma caminhada por um dos circuitos que atravessam os montes que rodeiam (e, nalguns sítios, se mesclam com) Mascate e servem de atalho para vários pontos da cidade. Este, o C38, ligava o Corniche ao centro de Mutrah, deixando-me relativamente perto do meu hotel. Apesar das vistas não me terem tirado o fôlego, a aventura certamente deixou, dando-me ainda a hipótese de me perder algures pelo meio do percurso enquanto explorava as ruínas de uma vila abandonada pelo tempo.

Uma caminhada com a baía de Mascate a fazer uma aparição dramática.

Infelizmente não tive oportunidade de explorar o Souq (o mercado tradicional) tão bem como queria por não ter conseguido encaixar o horário de abertura no meu plano mas, do pouco que vi, achei que talvez tivesse um ar mais genuíno e menos turístico do que outros que visitei na região. Tive sorte de visitar a imponente Grande Mesquita Sultão Qaboos a caminho do aeroporto, graças a um desvio simpático do motorista que me foi lá deixar.

A minha estadia em Mascate foi agradável, sem dúvida. A hospitalidade dos omanis é acolhedora e adorei ter tido a oportunidade de explorar pelo menos um dos montes que moldam a cidade. Mas claro, o ponto alto da minha visita a Omã ia sempre ser partir à descoberta da natureza que faz com que o país seja tão apelativo, e eu já o sabia do início. O que é certo é que eu não poderia ter escolhido melhor base para o fazer.


Mais Informação

Num Parágrafo

Mascate é uma cidade grande e difícil de navegar. Das três zonas principais que a compõem (Mutrah, Velha Mascate e Ruwi), Mutrah é a mais interessante, por ainda reter algum do espírito da antiga vila de pescadores que era; Velha Mascate é a zona do Palácio Real; e Ruwi é uma zona maioritariamente residencial. Os táxis não são baratos e andar de um lado para o outro sem carro próprio (ou alugado) pode ser uma tarefa complicada. No entanto, a hospitalidade é fora de série e o relevo pouco comum (há montes por todo o lado!) tornam-na num ponto de partida interessante para explorar o resto do país.

Chegar

A minha viagem para chegar a Mascate foi algo atribulada, visto que decidi viajar de autocarro desde o Dubai. Apesar de ser uma viagem relativamente fácil (cerca de seis horas), tive azar com o dia em que escolhi ser véspera de feriado e apanhei imenso trânsito. A paragem na fronteira tem pouco que saber e envolve pagar um par de taxas (de saída dos Emirados e entrada em Omã, respectivamente). O autocarro não é moderno e a chance de se ser o único turista é grande, mas é disso que as aventuras são feitas.

O Que Ver e Fazer

O Souq (mercado tradicional) é labiríntico e interessante, mas tem um horário de funcionamento peculiar (fecha durante três a quatro horas a meio do dia). Fortes, fortes para ver em todo o lado! Infelizmente os dois que foram construídos durante o período de ocupação portuguesa só podem ser vistos à distância (e eu bem que tentei lá chegar perto).

O Corniche oferece uma valente caminhada desde Mutrah até Velha Mascate, passando por alguns fortes, pelo maior parque da cidade e pelo “portão” de Omã pelo caminho. As caminhadas pelos montes são interessantes, mas acabei por só fazer uma. A Grande Mesquita Sultão Saboos fica longe do centro da cidade mas é digna de uma visita – eu parei lá a caminho do aeroporto, graças à simpatia do meu condutor.

A imponente Grande Mesquita Sultão Qaboos, mais do que merecedora de uma visita.

Comida

Como de costume nesta passagem pela região, comi sempre nos sítios mais baratos que encontrei. Devido à grande presença de mão-de-obra asiática no Golfo Pérsico não é difícil encontrar restaurantes indianos em quase nenhum lado. Estes são, na sua grande maioria, bastante acessíveis em termos de preço. O preço médio por refeição (prato principal e bebida) nunca excedeu os 5€ e encontrei sempre opções vegetarianas com alguma facilidade.

Onde Fiquei

Escolhi ficar em Mutrah devido à proximidade ao Corniche, que era de longe aquilo que mais queria ver em Mascate. O meu hotel (Mutrah Hotel), ficava a meio caminho entre o terminal de autocarros e o centro de Mutrah. A caminhada até ao Souq era cerca de vinte minutos. Achei o hotel moderno e confortável, com bom pequeno-almoço incluído e ligação à internet decente. Os empregados eram simpáticos e o transporte para o aeroporto estava incluído no preço.

 

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