Dubai, EAU

Querendo celebrar em grande as minhas primeiras (e merecidas!) férias oficiais desde o regresso à rotina de uma vida normal depois de 18 meses a viajar pelo globo, o destino escolhido foi o Golfo Persa. Porquê? Curiosidade, acima de tudo. A minha primeira paragem foi no Dubai, a maior e mais populosa cidade dos Emirados Árabes Unidos, e as expectativas eram altas.

Não tendo um orçamento infinito, optei por ficar num hotel relativamente modesto em Deira, o antigo centro financeiro da cidade, onde os prédios são baixos e pintados com tons creme que não deixam esquecer que é o deserto que domina grande parte da paisagem. A arquitectura é básica e os acabamentos são simples mas isso não impede que a energia se sinta no ar, pelo contrário.

Deira, vista do meu hotel.

É deste lado da cidade que – longe da suposta perfeição do Dubai que aparece nos panfletos – habitam os imigrantes (na sua maioria indianos e filipinos) que suportam a cidade às costas como mão-de-obra barata. Dia ou noite, o movimento nas ruas é incansável; os restaurantes fecham tarde e o tráfego caótico não parece parar. Para quem esperava uma cidade ultra-moderna, confesso que a minha primeira impressão foi… inesperada!

Entre mesquitas e souks (mercados tradicionais) de têxteis, especiarias e ouro, a variedade de cores berrantes e cheiros agradáveis tomam rapidamente conta dos sentidos. Bur Dubai, do outro lado do Creek (a angra que separa as duas zonas da cidade) oferece mais do mesmo e, apesar de ter mais pontos históricos, parece estar a fundir-se rapidamente com a crescente selva de betão em que a vizinha Jumeirah se está a tornar.

O Dubai Creek – a angra que separa Deira do resto da cidade.

Apesar de, como é costume meu quando viajo, querer ver ‘tudo’, ao chegar a Jumeirah rapidamente percebi que o Dubai não me ia deixar fazê-lo. Pelo menos não da forma a que estou habituado. Não só são as distâncias entre pontos de interesse enormes, como as vistas algo desinteressantes. Eu andei, e andei, e andei – mas recebi pouco em troca para além de vistas de estaleiros de obra com andaimes e guindastes ou ruas desertas à espera de demolição.

As principais atracções em Jumeirah são o icónico Burj Khalifa, a Marina, e os quilómetros de praia onde, algures pelo meio, o luxuoso Burj al-Arab reside isolado numa ilha. A Marina, um oásis artificial onde reina a arquitectura bamboleante de arranha-céus modernos, ofereceu-me pouco mais do que a sensação de estar de volta a Pudong, em Shanghai, onde o dinheiro fala mais alto do que o bom senso. A realidade dali não poderia contrastar mais com a que encontrei do outro lado da cidade, em Deira.

A Marina, com seus arranha-céus estilosos.

O ponto alto da minha visita acabou por ser ver o Burj Khalifa, presentemente o maior arranha-céus do mundo. Com 828 metros, é um monstro elegante que não passa indiferente aos olhos de ninguém. Tive sorte de o ver de dia e de noite, acompanhado de um espectáculo de água e luz inacreditável. Embora tenha optado por não subir ao observatório (que achei demasiado caro para a vista que oferece), não posso dizer que tivesse saído de lá insatisfeito.

A torre faz parte do complexo do Dubai Mall que, com as suas 1,200 lojas, faz jus à classificação de maior centro comercial do mundo. Para além das lojas, o centro comercial tem um salão de jogos temático (da Sega!), uma fonte espectacular que ocupa vários andares, um ringue de patinagem no gelo e um aquário! É também um lugar de pequenos detalhes. A secção de luxo, por exemplo, é alcatifada e tem largas cadeiras estofadas ao longo do corredor.

O imponente Burj Khalifa!

Confesso que tinha expectativas altas em relação ao Dubai, mas saí de lá ligeiramente defraudado. A cidade é grande e estranha, pouco amiga dos que gostam de se deslocar a pé. No fundo, é como uma Las Vegas sem casinos, onde a vibrante Strip é trocada pela infindável Sheikh Zayed Road e seu tráfego diabólico. Decerto que há-de ter os seus confortos, mas para os que não têm dinheiro para atirar ao ar como se não houvesse amanhã, creio que a realidade dos panfletos ainda esteja a uns anos de distância.

2 Comentários

  • Reply Daniel Simoes 27 Março, 2017 at 18:38

    Ficou bem sexy a página! No aguardo de mais novidades.

    • Reply andre 27 Março, 2017 at 19:08

      Thanks bud! O próximo vai ser Abu Dhabi. 🙂

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